Como viajar com bolso de estudante

Uma das principais limitações na hora de viajar é a falta de dinheiro. Já escrevi uma publicação sobre isso (leia aqui) e como eu já disse, com o tempo aprendi que viajar não é tanto uma questão de dinheiro nem de tempo, mas de prioridades. Decidi escrever algumas das coisas que faço para economizar nas minhas viagens e conseguir viajar com bolso de estudante.

Todo mundo sabe que viajar com pouco dinheiro não é uma tarefa fácil. Você precisa se organizar melhor, planejar e calcular cada movimento da sua conta bancária e também fazer alguns sacrifícios. Para mim, tudo é uma questão de flexibilidade. Não exagero, mas também não sou sovina a ponto de não me permitir desfrutar da viagem.

Eis aqui, algumas recomendações:

– Planeje sua própria viagem

Com algumas exceções, planejar sua própria viagem sempre será mais econômico do que comprar pacotes turísticos ou de agências de viagens. Porém, às vezes, as agências de viagens eventualmente conseguem preços diferenciados em passagens, hospedagem e entradas em locais turísticos e aí vale aproveitar. Mas nem sempre é assim, agências são empresas que precisam gerar lucro. Um valor que você não precisa pagar, se conseguir se organizar.

Com certeza você terá que destinar um pouco do seu tempo para achar uma boa promoção em passagens, procurar um local agradável onde ficar e escolher os locais para visitar em cada cidade. Isso tudo demanda mais dedicação, tempo e organização, do que ir numa agência e passar o cartão de crédito, mas planejar sua viagem acabará lhe dando a liberdade de desfrutar das suas ferias exatamente do jeito que você quer e não do jeito que alguém pensou que você ia gostar, e acredite em mim, vai acabar poupando muito dinheiro.

– Hospedagem alternativa

Existem diversas formas de economizar dinheiro em hospedagem. Atualmente o número de sites e lugares que oferecem hospedagem desse tipo é crescente. Nas ilhas de San Andrés (Colômbia) um projeto viabilizou que os próprios moradores da ilha fizessem das suas casas um lugar para receber turistas. Assim, os visitantes acham acomodação em casa de moradores locais, experimentam comida típica da região e vivenciam o dia a dia das pessoas que moram na ilha.

Outro conhecido exemplo é o Couchsurfing.  Uma comunidade internacional de viajantes que lhe permite oferecer e encontrar hospedagem em quase qualquer cidade do mundo. Pessoalmente, eu gosto e uso muito. Além de poupar uma grana em hospedagem, na maioria das vezes, obterá um ótimo guia local e se tiver sorte fará um amigo para a vida toda.  Antes de se decidir por essa modalidade, porém, saiba que ela não é válida para todos. É preciso ser alguém que não se incomode em estar na casa de pessoas desconhecidas. Se você é muito tímido ou tem dificuldades em dividir espaço, essa alternativa podem não ser a melhor.

Mas tem outras formas de viajar pagando pouco. Sempre existem os Bed&Breakfast (B&B), hostel e hotéis de baixo custo. Nesses espaços, o alto astral é sempre uma vantagem. Imagine um local com viajantes do mundo todo, vivendo quase as mesmas experiências que você, compartilhado um café da manhã em diferentes línguas, sempre com boa energia. Eu recomendo demais. A maioria dos hostels oferecem acomodações privativas e quartos compartilhados com café da manhã incluso. Você também pode se inscrever em redes de hostels e obter desconto em acomodações e benefícios adicionais. A mais conhecida é a Hostelling International.

Quando você começa a viajar, frequentemente se dará conta que só precisa de um lugar onde passar a noite e um lugar onde deixar as suas malas durante o dia, não um complexo turístico de alto nível que vai lhe custar muito e vai aproveitar pouco.

A seguir alguns links que lhe serão úteis na busca de hospedagem alternativa:

http://www.tripping.com/

http://www.globalfreeloaders.com/

http://www.hospitalityclub.org/

http://www.stay4free.com/

http://www.bewelcome.org/
– Não pague por museus

Considero que a arte e a cultura são um bem de todos, e é responsabilidade dos governos oferecer ambas as coisas à população e aos viajantes. Museus não precisam do seu dinheiro. Por isso, dificilmente pago para entrar em um. Claro, sempre há exceções. Alguns museus valem muito a pena pagar o valor da entrada, outros cobram um valor muito baixo que também não vale a pena a economizar.

Também não pago para entrar em igrejas. Talvez seja uma questão pessoal ou uma forma de rebelião contra a religião católica, mas sendo prático e depois de ter visto tanta igreja parecida, para não dizer igual, na minha vida, acho que deu para mim.

– Use o transporte público e alternativo

Uma das coisas que mais gosto de fazer é aprender a utilizar o transporte público dos lugares que visito. Geralmente, antes de chegar ao destino já dou uma olhada em como ele funciona e procuro algumas rotas que me serão úteis. Desde como sair do aeroporto, chegar ao centro das cidades ou ao local de hospedagem. Aprender a usar o transporte público em pouco tempo, me dá a sensação de obter a experiência do dia a dia da cidade e de seus moradores, além de poupar um dinheiro em táxi.

Quanto a transportes alternativos já todos conhecem a famosa carona. Atualmente você pode arranjar caronas pela internet ou em redes sociais, combinar um ponto de encontro e até um valor mínimo a pagar para custeio de gasolina e pedágios. Em alguns lugares funciona mais do que em outros. Em Minas Gerias, por exemplo, há várias cidades universitárias perto umas das outras a cultura das caronas é bem conhecida e utilizada pela população.

– Coma bem pagando pouco

Essa é uma das tarefas mais difíceis de viajar com salário de estudante. Tentar encontrar comida típica regional sem pagar muito pode ser cansativo às vezes, pois terá que procurar bastante, mas sempre há um jeito. Eu geralmente gosto de fazer minhas refeições em restaurantes simples e longe dos pontos turísticos. Restaurantes onde os moradores locais da cidade costumam frequentar. Desse jeito, sempre consigo experimentar a comida caseira sem pagar muito. Como já disse, seja flexível, poupe nas refeições de alguns dias para ter um jantar de despedida naquele restaurante famoso da cidade que você não pode perder.

– Lanchar num supermercado

Além de terem sempre os preços mais baixos, você pode conhecer parte da cultura alimentar (e de consumo) cotidiana de uma cidade no supermercado. Você vê as coisas diferentes que eles costumam comer e comprar, também pode escolher com calma o que quer comparar e até encontrar alguma comidinha que lhe lembre da casa.

Quando chego numa cidade, gosto de comprar alguns petiscos e bebidas num supermercado para levar comigo, desse jeito sempre tenho comida caso uma emergência (sim, para uma pessoa faminta como eu, ficar sem comida poder ser uma emergência) e evito gastar dinheiro em lojas ou tendas com preços para “turistas”.

Outra ótima ideia é sempre visitar o mercado público da cidade. É um lugar perfeito para experimentar frutas exóticas e comidas regionais.

– Invista em experiências e não em coisas

Em outro post já comentei, mas vou repetir. Dependendo do tipo de viagem que você está fazendo, tente priorizar seus gastos em experiências que sejam significativas para você e não em coisas e objetos. Pagar 200 reais em um salto de paraquedas ou num prato de comida num restaurante de alta cozinha pode fazer sentido para diferentes pessoas. Se isso é o que realmente o faz feliz, tenha certeza que vale a pena pagar por aquilo. Só não tente de se encher de bugigangas e lembrancinhas que só farão peso na sua mala e, mais cedo ou mais tarde, acabarão no lixo.

Cristian Figueroa

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