Por que saímos de casa?  

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Sempre é bom encontrar pessoas que compartilham as nossas formas de pensar, de ver o mundo, e de senti-lo. Nos dá uma sensação de não estarmos sozinhos fazendo o que muitas pessoas chamam de “loucuras”. Pessoas que tem largado seus trabalhos para o alto para ser voluntários na África, deixado a faculdade para iniciar sua própria empresa, jovens que saem de casa sem saber para onde vão, ou o que farão para sobreviver. Todas elas já foram chamadas de loucas. Sempre questionei o que nos leva a seguir esses caminhos? O que nos impulsiona a sair da nossa zona de conforto? Por que saímos de casa?

Ben Saunders se converteu na pessoa mais jovem a explorar sozinho, e a pé, o Polo Norte sobre o Oceano Ártico em 2004. E nesta TEDtalk de 10 minutos ele encontrou as palavras perfeitas para descrever o que a maioria dos “loucos” sente (e que muitas vezes tentamos explicar com frustração para as pessoas que estão-nos esperando em casa). Talvez sejam estas as palavras que você precisa ouvir para sair pelo mundo.

Ben inicia sua fala com uma pequena historia sobre o George Lee Mallory, um montanhista desaparecido em 1942 enquanto tentava escalar o Monte Everest. Ele respondeu de uma forma muito particular a pergunta: “por que escalar o Monte Everest?”.

“A primeira questão que você deveria perguntar e que eu tentarei responder é esta: de que serve escalar o monte Everest? E minha resposta deve ser direta:  de nada serve. Não há a mínima possibilidade de qualquer lucro. Podemos aprender um pouco sobre o comportamento humano em grandes altitudes e, possivelmente, médicos possam transformar nossa observação tendo em consideração os efeitos da aviação, caso contrário, não haverá nenhum resultado. Não traremos um único bocado de ouro ou de prata, nem de pedras preciosas e nem de carvão ou ferro. Não traremos um único pedaço de terra onde se possa plantar para gerar alimento. Portanto, de nada serve. Se você não consegue entender que há algo no homem que responde ao desafio desta montanha e que vai ao seu encontro, que a luta é a luta da própria vida, de subir e sempre seguir subindo, então você não irá entender  porque vamos. O que conseguimos com esta aventura é simplesmente pura alegria. A alegria, ao final, é o objetivo da vida. Nós não vivemos para nos alimentarmos e ganharmos dinheiro. Nos alimentamos e ganhamos dinheiro para poder aproveitar a vida, isso, sim, é o significado e o objetivo da vida.”

É claro que eu nunca tentei escalar o Monte Everest, nem atravessei o Polo Norte a pé, mas sair de casa para morar em outro país faz parte de se aventurar e se jogar no desconhecido, e como toda pessoa que já fez uma dessas “loucuras”, sabe que nem todo é alegria como disse George. Momentos difíceis sempre estarão no horizonte. Pânico e medo se apoderarão de você em diferentes situações, o frio no estômago de nunca saber o que vai acontecer no minuto seguinte pode nunca abandonar seu corpo, mas então, porque gostamos de nos expor a essas situações?

Assim como Ben, eu acredito que apesar dos momentos difíceis e negativos de cada aventura, sempre haverá uma situação, um motivo, uma pessoa ou um acontecimento que fará de sua viagem uma “experiência única”.

Para Ben, foi ver durante 10 semanas como a capa de gelo do oceano ártico quebrava-se, movia-se e congelava-se em repetidas ocasiões durante sua caminhada. Algo que ele descreve assim:

“Ninguém jamais poderá ver as paisagens, as vistas, que eu vi durante 10 semanas. E esse é, provavelmente, o melhor argumento para sair de casa. Posso tentar descrever como foi, mas vocês nunca saberão como foi. Quanto mais eu tentar explicar que me sentia sozinho, que eu era o único ser humano em 14 quilômetros quadrados, que fazia frio, quase -35° C num dia ruim, as palavras sempre me faltarão. Sou incapaz de descrever fielmente. E para mim parece, por tanto, que tentar experimentar, se empenhar, se esforçar, em vez de assistir e imaginar, é aí que o verdadeiro sentido da vida é encontrado, o sumo que sorvermos por nossas horas e dias”.

Vocês já tentaram explicar para suas famílias e amigos como foi aquele mochilão que fizeram pela América Latina ou os meses que moraram numa pequena cidadezinha na Europa, não é? Acho que vocês entendem do que o Ben está falando. Viajar é uma experiência pessoal, assim como as transformações que acontecem dentro de você são únicas. Dificilmente você achará alguém que consiga entender 100% como sua vida mudou após aquelas viagens.

Assim, as pessoas continuaram a chamar você de “louco”, e questionamentos sobre suas decisões de mudança continuarão a vir, pois como ele bem disse: “Nossas vidas são hoje mais seguras e mais confortáveis do que nunca. Certamente não há muito incentivo para exploradores atualmente”. Então por que nos incomodamos em sair de casa e fazer parte desse bando de “louco”?

Eu gosto de acreditar que pessoas como nós, somos ambiciosas e sonhadoras e não “não-conformistas”, como já me chamaram em repetidas ocasiões. Quando as coisas começam a ficar calmas e tranquilas, precisamos de um novo desafio, de uma nova aventura, mesmo sabendo que vai ser difícil, que nem tudo vai dar certo.

Somente os viajantes sabem:a maior recompensa desses desafios é o aprendizado e o amadurecimento acelerado. Algo que Ben resume ao final de sua palestra:

“…E ainda, se alguma coisa eu tenho aprendido nos últimos doze anos, carregando coisas pesadas por lugares frios é que a verdadeira inspiração e crescimento só vêm das adversidades e dos desafios, de afastar-se do que é confortável e familiar e dar um passo rumo ao desconhecido. Na vida, todos temos tempestades para enfrentar e polos para atingir, e eu acho que, metaforicamente falando, todos poderíamos melhorar saindo de casa um pouco mais, se ao menos pudéssemos juntar coragem. Eu certamente lhe imploraria para você abrir a porta, só um pouquinho, e desse uma olhada no que há lá fora.”

Faço das palavras de Ben as minhas e espero que com isto, você junte a coragem que precisa para abrir a porta da sua casa e sair da sua zona de conforto.

Deixo com vocês o vídeo completo.

Cristian Figueroa

 

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